segunda-feira, 6 de maio de 2013

E um prólogo num poema

Numa dourada noite de julho, nasceu Paloma enluarada.
Era como uma menina, mas ao invés disso tinha asas.
Foi incubada por uma pomba, e na noite da casca quebrada
Ela a abandonou no ninho, com uma mochila e mais nada.

Paloma saciou-se da água da chuva,
Comeu dos grãos que o vento soprava,
Cresceu rápido, rápido mais que se imagina,
Achou um lápis e escreveu uma carta.

Um dia teve um sonho tremendo.
Tremendo capaz de fazê-la voar do ninho.
Pela primeira vez bateu as asas
E levantou voo o passarinho.

O que lhe sussurravam ao pé do ouvido,
Ou era o vento, ou era o sonho,
Eram segredos de outro mundo,
O mundo missivo dos Cartamoinhos!

E os sussurros de tal maneira a encantaram,
Se foi o vento ou foi o sonho não sabe,
Mas a encantaram, e de tal modo,
Que em um suspiro Paloma levaram,
Paloma e sua mochila, à mais próxima cidade.

Lá ela encontrou um sujeito,
Dormindo, ao pé de uma árvore.
Debaixo do seu braço esquerdo
Pôs uma carta e deixou-o à vontade.

Aquela era a primeira, que no ninho ela escrevera,
Mas depois tem a segunda,  e tem até também terceira.
Com a ideia que o sonho soprara, e com outras cartas na mochila,
Ela voava, ela voava...
 — O  vento só de companhia.

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