Era como uma menina, mas ao invés disso tinha asas.
Foi incubada por uma pomba, e na noite da casca quebrada
Ela a abandonou no ninho, com uma mochila e mais nada.
Paloma saciou-se da água da chuva,
Comeu dos grãos que o vento soprava,
Cresceu rápido, rápido mais que se imagina,
Achou um lápis e escreveu uma carta.
Um dia teve um sonho tremendo.
Tremendo capaz de fazê-la voar do ninho.
Pela primeira vez bateu as asas
E levantou voo o passarinho.
O que lhe sussurravam ao pé do ouvido,
Ou era o vento, ou era o sonho,
Eram segredos de outro mundo,
O mundo missivo dos Cartamoinhos!
E os sussurros de tal maneira a encantaram,
Se foi o vento ou foi o sonho não sabe,
Mas a encantaram, e de tal modo,
Que em um suspiro Paloma levaram,
Paloma e sua mochila, à mais próxima cidade.
Lá ela encontrou um sujeito,
Dormindo, ao pé de uma árvore.
Debaixo do seu braço esquerdo
Pôs uma carta e deixou-o à vontade.
Aquela era a primeira, que no ninho ela escrevera,
Mas depois tem a segunda, e tem até também terceira.
Com a ideia que o sonho soprara, e com outras cartas na
mochila,
Ela voava, ela voava...
Nenhum comentário:
Postar um comentário